Ele sempre a observa, mas não sabe o que dizer. O que eles poderiam ter em comum para começar uma conversa?
Quando a vê seus olhos brilham cheios de vida, queria dizer qualquer coisa que pudesse transformar a vida dela e a dele também, pois apesar de se sentir feliz, sabe que só se sentiria completo com ela.
Dias se passam, ele torce para esbarrar no elevador com ela, mas nem sempre consegue, e quando consegue a única coisa que consegue é um papo mais ou menos assim:
-calor né? mas talvez chova hoje… / - pois é, este é o meu andar… / - ah tá, tudo bem então até mais! / -até!
Ele se lembra de um filme que viu uma vez sobre um tal conselheiro amoroso, e as primeiras palavras do filme nunca saem da sua cabeça…
“Princípios básicos! Nenhuma mulher acorda e diz
‘puxa, tomara que eu não me apaixone hoje!’
Mas talvez diga ‘não é uma boa hora pra mim!’
Ou algo do tipo ’preciso de mais espaço!’
Ou o meu favorito ‘quero me dedicar à minha carreira agora!’
Você acredita nisso? Nem ela. Sabe por quê? Porque ela está mentindo pra você. é por isso. Está ligado? Mentindo.
Não é uma má hora pra ela; ela não precisa de mais espaço; e até pode ama a carreira, mas o que ela realmente está querendo dizer é: ‘desencana, mané!”
Ou talvez, ‘batalhe mais, idiota!”
E então, qual é?
60% da comunicação humana é não-verbal. É linguagem corporal. 30% é o tom; ou seja, 90% do que você diz não sai da tua boca.
Claro que ela mente, ela é legal, não quer te magoar; o que mais ela pode dizer? Ela nem te conhece!
.
.
ainda.
Felizmente, o fato é que, como todo mundo… até uma linda mulher não sabe o que quer, até ela ver. E é aí que eu entro; meu trabalho é abrir os olhos delas.
principios basicos: nao importa onde, nem quando, nem quem … qualquer homem pode ser o príncipe encantado de uma mulher, é só ter o cavalo certo…”
Como ele desejou que esse cara existisse no mundo real pra ajudá-lo com isto.
Mas mesmo não existindo, o rapaz não desistiu da bela garota. Seu amor era platônico pois ela nem o conhecia. Se encontrasse no elevador de novo, seria apenas um vizinho estranho com papo de elevador comum, chuva, tempo, violência e tals.
Muito tempo se passa, ele acompanha o que pode da vida dela em cada passeio de elevador. Ele não sabe o que acontece, mas percebe que falta algo pra ela e acredita que pode preencher este vazio. “Ah! A vizinha do décimo quinto andar, como eu queria que ela me notasse. Acho que vou ver o filme denovo pra ver se aprendo alguma coisa.” Bom no fim do filme ele retoma o começo “principios basicos: não há nenhum!!!”
PUTA QUE O PARIU- ele pensa, pois isto lhe diz que não há como saber o que fazer. Até que um dia ouvindo uma música antiga ele teve seu estalo…
e quando entrou no elevador ela estava lá dentro e viu o brilho nos olhos dele. Nunca tinha reparado, mas desta vez ele olhou tão profundamente, tão intensamente, que não teve como ela não notar. Ele estava confiante, e após a porta se fechar, ele a pegou pelos braços, ela num susto nada fez. Ele passou a mão pela sua cintura e a outra colocou juntou à dela. Olhos nos olhos, mostrando confiança no que vazia, se aproximou do rosto dela lentamente.
Ela sentia o coração saltar pela boca, seus lábios já úmidos e semi-abertos esperando que o rapaz se aproximasse mais. Ele continuou aproximando o rosto, bemmmm lentamente. Aquele momento parecia uma eternidade, até que ele chegou bem perto, mas não a beijou. Simplesmente encostou seu rosto ao dela, ainda a abraçando, e começou a dançar de rostinho colado enquanto o elevador seguia seu movimento.
A vizinha não sabia o que fazer e apenas seguiu o ritmo da dança sem música. Em seu ouvido o rapaz sussurrava apenas trechos de uma canção: “Heaven, I’m in Heaven, And my heart beats so that I can hardly speak; And I seem to find the happiness I seek; When we’re out together dancing, cheek to cheek.”!
Tudo isto durou apenas alguns instantes, mas seu efeito durou o tempo necessário pra eternidade perceber que não era nada perto daquilo.
O rapaz parou aos poucos de dançar, sorriu para ela e disse “bem, este é o meu andar, até mais!”
A bela garota, sem jeito, só conseguiu olhar pra ele meio encabulada:
-até!