O que você faria….

Estes últimos dias foram complexos e intrigantes. Primeiro, operei da vesícula finalmente, depois de mais uma crise e muita dor, como não me decidia, o hospital fez os exames e decidiu por mim, fiquei internado na véspera do feriadão de páscoa e das minhas férias na empresa. Pensar em perder feriado e férias em recuperação não é nada agradável…

Vi no twitter a pouco algo sobre matemática e vida e resolvi rever o que escrevi posts atrás para uma amiga como presente de aniversário.

Quando fui para o hospital e vi que não iria sair de lá até ser operado, bom o desepero bateu um pouco. Eu sabia que estava há 5 anos evitando aquele momento, afinal quem gostaria que te colocassem pra dormir e te abrissem para arrancar um pedaço seu?Mesmo sabendo que se não fosse arrancado poderia te matar, isto há 5 anos atrás quando começou, imagina agora. Enfim, acho que só quem precisa passar por isto pra saber.

O que posso dizer é sobre o apego e o que agente pensa que as pessoas pensam. O que agente pensa que sabe sobre os outros.  No fundo agente não sabe porra nenhuma, mal sabemos de nós mesmos. Não fazia nem 72horas que tinha passado por um momento que foi muito difícil pois revelei um segredo que nem era mais segredo, mas era necessário ser dito em palavras claras pra tentar acabar com os problemas de comunicação, pois aquilo que não se diz, acaba aparecendo de outras formas, neste caso, estavam virando discussões e brigas por absolutamente, nada…. nada mesmo…  afinal só posso responder por mim.  e é aí que entra a operação (pra não perder o foco) …

Tive medo, muito medo mesmo, apesar de saber tudo o que precisava sobre a operação, no fundo tem um lado seu que sabe que tudo pode dar errado, e é muito difícil ignorar este lado em alguns momentos. Pra evitar loucuras familiares, tinha me resolvido a avisá-los o mais tarde possível, quem sabe até depois da cirurgia apenas, pois assim, evitaria que viessem correndo pra cá feito malucos e que se acidentassem no caminho. Pra minha sorte, fui péssimo em manter isto em segredo, pois, na madrugada pós operação, se meus familiares não tivessem vindo feito malucos pra cá, eu estaria em maus lençóis, lietralmente falando. Obrigado por terem desrespeitado meu desejo de não informá-los.

O que realmente queria foi a única coisa que não tive, sabia que não podia ter, afinal, ela estaria trabalhando e tals. Mas assim como tem um lado nosso que não pode ignorar que tudo pode dar errado, tem um outro que….  bom, vou tentar dizer assim…

Quando decidiram que eu ia realmente ficar internado, e no dia seguinte momentos antes da operação, só conseguia ficar com a música do Paulinho Mosca na cabeça “..o que você faria, se só te restasse este dia…” o que eu faria não importava, pois estava numa maca esperando aquele momento que evitei por anos. Mas um lado meu que me dominou queria apenas ver um rosto mais uma vez. Sentir a mão dela apertando a minha e dizendo que tudo ia dar certo. Ou então quem sabe, vê-la ali no quarto do hospital assim que eu acordasse do pós cirúrgico, com um sorriso nos lábios que me explicaria tudo, como que dizendo ‘foi tudo bem na cirurgia e você vai melhorar…”

No fundo queria ela por perto naquele momento, se fosse o último, pelo menos teria passado com ela por perto e sabendo que estava tudo bem. Mas sabia que isto não ia acontecer, pura ilusão minha.

Se platão tivesse nascido nos dias de hoje, daria um jeito de matá-lo antes que ele inventasse o seu ‘amor’.

Como meu outro lado sabia que isto não aconteceria, fiquei apenas com a amizade, e ‘esperando’ (mais uma vez tentando prever pensamento alheio) pelo menos uma visita pós-cirurgia. Afinal, somos amigos, e pelo que eu sabia, bemmm amigos!

Passei a o feriado esperando por isto, um contato, uma conversa. Masssss, nada. absolutamente nada. Tinha prometido não alimentar o Platão, e deixá-lo morrer aos poucos, tinha medo de perder a amizade apenas.

Bom, pra minha surpresa, me enganei, e me volto para o post sobre o desapego. No fundo eu gosto da companhia dela e me faz muita falta. Mas reamente não posso querer ler seus pensamentos e adivinhar o que se passa. Os pensamentos a respeito do que fala ou deixa de falar, de como uma coisa pode ou não contra-dizer a outra. Isto não interessa!

O erro foi meu, por criar expectativas inexistentes. Por não seguir minhas próprias palavras, afinal, eu tenho que saber do meu lado da coisa, e do meu lado, gosto da companhia dela. Desejei ter mais disto, mas é improvável e estou plenamente consciente disto. Não espero absolutamente mais nada, de verdade, o que surgir na vida é lucro. Estou voltando apenas a amar sem me apegar.  Mas não vou mais criar expectativa nenhuma, nem se ela decidir nunca mais falar comigo. Gostar disto não gostaria, mas também não podemos obrigar ninguém a gostar ou desgostar dagente né?

E se fizermos isto, além de enganar a pessoa, estariamos enganando a nós mesmos.  Enfim, isso é algo que não quero. Enganar não é a minha praia, prefiro a sinceridade. E sinceramente, a amo do jeito que ela é.

E nada mais!!!

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