Tempestade

Embrulhou todas as suas bugigangas como se fossem um relicário.

Saiu à chuva protegendo seus pertences

O céu parecia refletir seu estado interno, sua tempestade. Não havia um pedaço de pano preto para proteger-lhe.

Sentiu as primeiras gotas atingirem o topo e seguirem lentamente os contornos de seu corpo. Era um descarrego, como se cada gota que passasse lhe tirasse o peso das indecisões,

questionamentos,

reflexões,

mágoas,

pensamentos,

emoções,

incertezas,

repressões e

tristezas,

tudo!

Cada gota lhe enchia de energia da natureza.

Cada gota sugava em direção ao chão toda a tristeza.

Não percebia mais porque as pessoas ao redor se protegiam com seus panos pretos destas gotas de energia pura. Pareciam querer manter dentro de si a sujeira do mundo que lhes angustia.

O céu não estava refletindo seu estado interno, ele estava lhe sacudindo, energizando; arrancando tudo o que não lhe servia, os céus estavam lhe limpando a alma…

Se viu com poças carregadas de sua sujeira até os calcanhares, caminhava no meio delas com desenvoltura, esperando que um bondoso carro passasse causando pequenos tsunamis e arrastando o resto destas mágoas.

Seu corpo estava leve, não havia mais tristeza, ele estava cheio de energia da própria mãe-natureza.

E há muito não se sentia tão vivo

E há muito não se sentia tão

Feliz

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