Aleluia Googles Docs
Compartilhar, o futuro está aí. Será um comunismo-democrata virtual!?
A web guarda o mundo sem endereço fixo. A rede internética finalmente desplugou o humano da cadeira, os arquivos agora não jazem mais nos “wincheters”, mas flutuam pela rede e sendo acessados quando o usuário bem e donde entender. A globalização tem sua raíz – o local virtual é instântaneo, os quilômetros não existem mais, estamos todos a toda hora em todo lugar.
Compartilham-se documentos, textos, resenhas, críticas, os fóruns dispararam, hoje há milhares de câmaras de vereadores espalhadas pela web. As discussões sobre tudo estão borbulhando nessa nova geração de pessoas integralmente conectadas. Posso desenvolver um papo sobre um churrasco com centenas de pessoas ou projetar um boeing com milhares de empresas e laboratórios científicos. As coisas complicadas ficaram mais simples e talvez as simples se complicaram.
GoogleDocs compartilha documentos, inclusive a edição dos maledetos – isso que se pode chamar de co-autoria. Digamos que a quantidade de informações existente hoje ultrapasse a capacidade de uma cabeça: coisas, livros, projetos, detalhes, desenhos, construções, estatísticas, cálculos, méritos – o coletivo faz, uma cabeça sozinha sobra para uma liderança, para uma força propulsora e olhe lá. Qualquer dia inventarão o Google Leadership, aí os cargos de presidente, chefe, supervisor e manda-chuva se esfacelarão.
A mesma matriz de circulação de informações se repete nos trâmites humanos. Uma avanço tecnológico ou um regresso da humanidade? Claro que não posso deixar passar os problemas éticos de tal confusão ou organização, a questão: O sujeito será um amontoado de bits?
Google Docs desfilará como uma solidariedade ou um trabalho de “eufemismo coletivo”? Sim, porque pior do que egoismo, narcisismo é o “coletivismo barato”. A ferramenta está aí que indica um “modo de mundo”, um caminho de certo modo pré-traçado pela própria ferramenta. Google Docs e as outras faces da web que comunicam, dividem e fundam opiniões podem sofrem do efeito de “massa”. Onde um termo coletivo e ideal começa a ser captura sem filtros.
A própria web é consumida sem moderação, deixando os relacionamentos próximos e distantes, informativos e castos, democráticos e estéreis, porque a relação de que há um ser humano na outra ponta da linha do computador é virtual. Eu tenho o conceito de que há outro, mas não o vejo, não sei dos seus maus sonhos, sua cara amassada logo pela manhã, dos seus furúnculos que incomodam. A copndição de pessoa é substituida pela condição de usina de informações.
Fábrica de letrinhas. Consuma All Googles com moderação. Ao final das contas, ainda somos seres reais, conforme a tremperatura, peso, idade, sexo, cor de cabelo e bafo. A internetização da sociedade não pode ultrapassar um limite chamado “gente”. Posso projetar um míssil em conjunto com mil pessoas, mas também posso dizê-lo ruim pras mil pessoas ou posso sentir esse míssil caindo na cabeça de outras mil pessoas. A vida ainda não é um vídeo game, onde simulacros desenham o impossível possível e sem carater de real, defino real como palpável, sem discussões infinitas que podem surgir, na prática ainda somos bichos que evoluíram a ponto de usar o polegar opositor e prever futuro com certa complexidade. Ainda nos alimentamos e nos abraçamos.
Um computador não pode abraçar nada, e um robo deve possuir um abracinho mixuruca.
Comunismo-democrata virtual até o ponto de ser opressor, a liberdade sempre é um ciclo. A condição de liberdade nos faz girar esse circuito.
Daniel

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